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Anfíbios, mas afinal, o que são? A palavra é derivada de amphibious, que significa “ambos tipos de vida”, devido ao fato desses animais serem capazes de viver no ambiente aquático, em sua fase larval, e terrestre na fase adulta, mas dependendo da água para diversas atividades, como a reprodução.

Com mais de 7 mil espécies descritas, os anfíbios possuem uma enorme importância ecológica e estão entre os grupos prioritários para a conservação global. Por serem muito sensíveis às alterações ambientais, são considerados bioindicadores, ou seja, a sua presença em um local pode indicar que o ambiente está em equilíbrio ou desequilíbrio ecológico, tendo em vista que conseguem sobreviver somente em lugares não poluídos.

Porém, as populações desses animais estão regredindo em um ritmo acelerado em todo o planeta, e grande parte das suas espécies se encontram em alguma categoria de ameaça de extinção. Isso se deve principalmente a uma série de ameaças ambientais, como a destruição de habitat, o desaparecimento de zonas úmidas, urbanização, monoculturas, barragens, poluição de rios e lagos, introdução de espécies exóticas e tráfico animal.

Características e modos de vida

Os anfíbios são os animais popularmente conhecidos como sapos, rãs, pererecas, salamandras, tritões, cobras-cegas e cecílias. Todos eles fazem parte da Classe Amphibia, a qual está dividida em três Ordens.

A Ordem Anura, onde estão inseridos os sapos, as rãs e as pererecas, é caracterizada pela ausência de cauda e por apresentar membros posteriores alongados, que os auxiliam na locomoção por saltos. Na Ordem Gymnophiona, conhecidos como cobras-cegas ou cecílias, estão os anfíbios de corpo alongado, com muitos anéis corporais e ausência de membros. Já na Ordem Caudata, temos os anfíbios com quatro membros e cauda longa (as salamandras e os tritões), cuja ocorrência no Brasil está restrita à região Amazônica.

Obs.: Os axolotes são exemplos da ordem caudata, geralmente preservando a fase aquática até o final de sua vida, são restritos ao México.

São animais de grande sucesso evolutivo e ecológico, ocorrendo em quase todos os continentes do mundo (com exceção da Antártida). Ocupam diversos tipos de ambientes úmidos, incluindo florestas, campos e os mais variados tipos de corpos d’água. São animais ectotérmicos, ou seja, utilizam fontes externas de calor para regular sua temperatura corporal e assim desenvolver suas funções vitais. Apresentam uma pele permeável e sensível, a qual além de funcionar como o principal órgão respiratório, ajudam a manter o animal sempre úmido (através das glândulas mucosas que evitam a dessecação) e protegido contra predadores ou doenças.

Os representantes desse grupo diverso desempenham um papel importante nas teias alimentares. Servem de alimento para peixes, répteis, aves e mamíferos e consomem uma quantidade significativa de invertebrados (e até mesmo pequenos vertebrados), muitas vezes auxiliando no controle de algumas populações de pragas. Além disso, estão entre os organismos que, por possuírem uma fase de vida na água e outra na terra, proporcionam a troca de nutrientes entre o ambiente aquático e o ambiente terrestre.

Trabalho do BioParque do Rio

Aqui no BioParque do Rio, foi inaugurado um espaço exclusivo para os axolotes, anfíbios aquáticos nativos do México. Resgatados em 8 de junho de 2022, após apreensão da PRF, chegaram ao Bio Parque Pantanal cinco indivíduos (três fêmeas e dois machos) que passaram por quarentena, reproduziram-se no local, e posteriormente, em maio de 2025, filhotes nascidos lá foram transferidos para o AquaRio, onde receberam todo cuidado necessário até a inauguração, no dia 4 de outubro de 2025 no BioParque do Rio. Este recinto tem como objetivo trazer conhecimento sobre a espécie e conscientizar o público visitante acerca de seu status de conservação, que se encontra como “Criticamente ameaçado” (CR) de acordo com IUCN, podendo ser encontrados menos de 1000 indivíduos na natureza.

Juntamente à isso, a instituição deu um outro grande passo histórico na conservação de anfíbios ao inaugurar um novo laboratório dedicado à proteção da rã-de-seropédica, uma espécie ameaçada pela destruição do habitat natural. Esse é o primeiro projeto do gênero no estado do Rio de Janeiro e busca desenvolver protocolos inovadores para a manutenção e reprodução desses animais sob cuidados humanos. Para saber mais detalhes confira em :BioParque do Rio inicia projeto inédito para a conservação de anfíbios ameaçados        

Especificações de cada anfíbio

Ordem Gymnophiona

Popularmente conhecidos como cobras-cegas ou cecílias, pertencem ao grupo dos anfíbios sem pernas. Possuem cerca de 200 espécies reconhecidas pela ciência, variando de 90 cm a 1,5 metros de comprimentoPodem ter diversas cores, de cinza e preto a azul cintilante. Algumas espécies são bicolores, com partes superiores roxas e ventre rosa ou listrado. As cobras-cegas geralmente possuem olhos muito pequenos, e acredita-se que a única função desses órgãos seja detectar a presença e a ausência de luz. Algumas espécies possuem os olhos completamente cobertos por pele, uma boa adaptação para uma vida subterrânea (são ótimos escavadores). Um par de tentáculos minúsculos e quimicamente sensíveis na face das cobras-cegas consegue detectar alimentos, sua dieta é carnívora, se alimentando de insetos, minhocas, cupins e larvas.

Apesar de atingirem comprimentos gigantescos, esses animais raramente são vistos pelos humanos. A maioria das espécies passa a maior parte de suas vidas no subsolo ou nadando em riachos rasos. As cobras-cegas podem ser encontradas em áreas tropicais e neotropicais em todo o mundo, da América Central e do Sul até a África Central e Sudeste Asiático.

A reprodução em cobras-cegas, ou cecílias, é variada, com algumas espécies sendo ovíparas (botam ovos) e outras vivíparas (o embrião se desenvolve dentro do corpo da mãe). A fecundação é sempre interna, e os machos possuem um órgão copulador chamado falodeu. Em algumas espécies vivíparas, os filhotes podem se alimentar de uma secreção nutritiva produzida pela mãe. Sua expectativa de vida pode variar de 15 a 30 anos.

Ordem Anura

Os anuros são os animais reconhecidos como anfíbios que não possuem cauda, por exemplo, sapos, rãs e pererecas. Eles são encontrados na maior parte do mundo, sendo a maior diversidade nos trópicos. Vinte e cinco famílias são atualmente reconhecidas, representando mais de 4.000 espécies, com mais sendo descobertas regularmente. Destas, 1.144 brasileiras, tornando o Brasil o país com a maior diversidade desse grupo de anfíbios no mundo.

A principal diferença entre eles é que os sapos têm a pele mais seca e preferem ficar na terra. As rãs podem ser macho ou fêmea e gostam de ficar perto de lagoas, assim como as pererecas, que costumam viver em árvores e escalar paredes por terem discos adesivos na ponta dos dedos. Já as semelhanças é que todos os anuros respiram pela pele e pelo pulmão e sugam água pela região inguinal (abaixo da barriga).

A reprodução em anuros é marcada principalmente pelo seu canto, pois frequentemente são ouvidos quando estamos próximos a algum corpo d’água ou área úmida, principalmente em regiões mais afastadas das cidades. A principal função do canto, emitido pelos machos, é atrair as fêmeas da mesma espécie para a cópula. Isso é possível, porque cada espécie possui um canto próprio, permitindo a diferenciação de uma espécie da outra. Outra características marcante dos anfíbios é a presença, na grande maioria das espécies, de duas fases de vida bastante distintas: uma fase larval aquática (que na ordem Anura é conhecida como “girino”) e outra fase adulta terrestre, após a metamorfose. Sua expectativa de vida em natureza é de 10 a 12 anos, entretanto sob cuidados humanos essa média sobe para 50.

Sapos: Eles são membros da família Bufonidae que, em todo o mundo, possui cerca de 600 espécies dentre 52 gêneros, sendo que mais da metade dos bufonídeos são membros de um único gênero, Bufo. Os sapos são anfíbios terrestres, possuem a pele rugosa e seca, mas os machos e as fêmeas se encontram nas proximidades de lagoas ou outros locais úmidos para acasalarem. As fêmeas colocam ovos dentro da água e os girinos nadam até nascerem as patas, trocando então para o habitat terrestre. Os sapos possuem o corpo mais forte, patas traseiras curtas e robustas, pois costumam caminhar em vez de saltar e pular. Uma característica comum entre os sapos é a presença de duas grandes glândulas atrás da cabeça, chamadas de glândulas parotoides. É nelas que fica o veneno usado em quem tenta mordê-lo. Porém, não é preciso ter “medo de sapos” porque esses animais não têm como expelir o veneno sozinhos. É o próprio predador ou agressor que aciona a substância tóxica através da pressão da mordida, levando os jatos de veneno na boca.

Rãs: A maior família de rãs que existe no mundo é a Ranidae, cujas espécies ocorrem quase exclusivamente no Hemisfério Norte. As rãs encontradas no Brasil, também chamadas de jias ou caçotes, pertencem à família Leptodactylidae, cujas espécies são comuns nas Américas do Sul e Central. As rãs passam mais tempo na água do que os sapos, sendo considerados animais semiaquáticos. Quando se deparam com alguma ameaça em terra, saltam com toda sua energia para a água, onde permanecem nadando. Como as rãs passam mais tempo na água ou geralmente ficam mais perto dela quando estão em terra, sua pele permanece úmida e com aspecto mais viscoso e brilhante. Possuem patas longas e fortes, elas são exímias saltadoras, mas para isso gastam muita energia.

Pererecas: As pererecas são anuros da família Hylidae e têm características bem próprias que as diferenciam dos sapos e rãs, como por exemplo o fato de normalmente serem bem menores, mais leves e por terem discos adesivos na ponta dos dedos, semelhantes à ventosas. Suas pernas também são finas e longas o que os permite dar amplos saltos verticais. As pererecas são animais arborícolas (auxiliadas pelas pontas dos dedos adesivas), sendo encontradas comumente em árvores de locais úmidos, perto de riachos e córregos. De acordo com o Butantan, no Brasil existem mais de 350 espécies de pererecas, sendo a da espécie Boana raniceps uma das mais comuns.

Ordem Caudata

A ordem urodela/caudata está representada por anfíbios de corpo alongado, com quatro membros usados na locomoção e que apresentam cauda: as salamandras. Elas estão distribuídas pela maior parte da região holártica, com a maior diversidade nos Estados Unidos. São conhecidas apenas 05 espécies  de um único gênero (Bolitoglossa), no Brasil, ocorrendo exclusivamente na região Amazônica. Caudados são facilmente distinguidos de outros anfíbios com base em vários caracteres morfológicos, incluindo a presença de uma cauda em todas as larvas, juvenis e adultos. As salamandras exibem uma ampla gama de histórias de vida e padrões de cortejo, sejam elas terrestres ou aquáticas, a reprodução sempre ocorre próximo a água, onde seus ovos também são depositados. As mais basais, chamadas de “primitivas”, têm fertilização externa (Cryptobranchoidea e provavelmente Sirenoidea), mas a maioria das famílias existentes (Salamandroidea) tem fertilização interna. Elas possuem cloaca, sendo assim, órgãos copulatórios não existem. Sua expectativa de vida varia muito de acordo com cada espécie, algumas vivem de 10 a 20 anos, porém foram observadas espécies atingindo 100 anos ou mais.

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